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Por Leonardo Brant

 

arte com remedio

Qual a importância da arte em nossa sociedade? Como responder a essa pergunta quando sequer conseguimos definir o que é arte? Qual a função política da arte? Podemos atribuir um papel a ela? Cidadania, cultura, educação: o que isso tudo tem a ver com arte?

Precisamos deixar de enxergar a arte (e consequentemente, o artista) por sua fragilidade, delicadeza, como algo que precisa ser sustentado pela sociedade. Estamos acostumados a colocar a arte numa redoma, num lugar de proteção, de cuidado. O artista, então, passa a ser visto como alguém descontectado do mundo real, alguém que precisa tratamento especial, precisa ser protegido, celebrado, celebrizado. E, portanto, aprisionado.

A arte sustenta a sociedade, oferece sentido, significado, razão e emoção. Sem ela, não sabemos por que existimos, o que estamos fazendo aqui, para onde vamos, como devemos olhar e se relacionar com o outro, com a natureza.

Subordinada a qualquer instância de poder (de cunho religioso, ideológico, do Estado ou da economia) a arte, tanto quanto a filosofia e a ciência (não seriam formas de arte?), tornam-se poderosos instrumentos de manipulação. Uma arte moral, a serviço de determinada visão de mundo, desconectada de uma ética mais profunda, universal.

Precisamos (e podemos) redimensionar o tempo e o lugar da arte nas sociedades contemporâneas (videocráticas, do consumo, do espetáculo). A política, o mercado (se é pelo capitalismo, usemos suas armas), o processo de formação (cultural e educacional) são nossos meios de construção de uma nova ética que catapulte a arte e o artista a outro patamar. Mas estão cada vez mais consumidos por grupos de interesses (econômicos, partidários, ideológicos).

Uma arte livre e democrática não tem a ver apenas com a liberdade de criação dos artistas e com a manutenção de espaços de expressão dessa liberdade. Tem a ver, sobretudo, com o estímulo e o desenvolvimento da capacidade artística do cidadadão, com a conquista de sua autonomia e independência, permitindo-o escolher e definir seus próprios referenciais estéticos, éticos e identitários, frente à enxurrada de informações e mensagens subliminares, presentes em todos os tipos de arte, do cinema à publicidade, passando pelas paisagens urbanas e pelos ritos e ritmos da vida cotidiana, que nos permite viver sem pensar, sem sentir, sem olhar.

Precisamos formar artistas. Não artistas de profissão (isso é escolha de cada um). Precisamos criar cidadãos capazes de ler, de compreender o sentido mais profundo da vida, de encontrar este sentido nas atitudes mais simples. De viver e conviver com ética e verdade.

 

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Leonardo Brant é Pesquisador cultural e empreendedor criativo. Sócio-fundador do Cemec, é presidente do Instituto Pensarte e diretor-executivo da 360Graus. Autor dos livros O Poder da Cultura (Peirópolis, 2009) e Mercado Cultural (Escrituras, 2001), entre outros: www.brant.com.br

 

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1 Comentário

  • Arte para mim é sentimento genuíno de expressão da alma de cada ser pensante. Pode ou não se conectar por sintonia, por osmose, por simpatias, por alienação, ao contexto social, sem que para isto se sinta vinculada a tal. A arte tem que ser pura e simplesmente um flash do intuitivo. Fora isto, a meu ver, passa a ser “merchandising”